uma novidade com peso desconhecido.
ainda é um corpo estranho, e não um prolongamento.
as minhas mãos quase que rejeitam. os dedos sentem desconforto. Procuram um obturador que já não existe e quando encontram o novo aplicam uma força familiar, mas desfasada nesse corpo estranho com peso desconhecido.
o ano também é novo. ao contrário da máquina, estranho-o mas não o rejeito. Anseio-o.
Julgo que é assim com uma boa parte das pessoas. O emprego, a viagem, o projeto, as caminhadas vigorosas, o corte nas saturadas, a casa, o carro e por aí em diante. São novos ou novas resoluções porque o ano é novo. A novidade é boa. Estranha, mas confortável. A mente e o corpo gostam, anseiam-na. Há uma expectativa de purga, mas também de preenchimento com algo... novo.
O ano instala-se.
A rasura no último número do ano termina ao fim do primeiro mês. O Carnaval ainda é ano novo, mas a Páscoa é transição, o Verão é média idade e quando entra o Outono, o ano está esgotado.
À medida que o ano vai perdendo a sua juventude, já nada se deve ao seu início.
O último mês é um limbo. Tenta-se arrumar o que é mau no ano velho e transportar o bom para o ano novo. Revestem-se as resoluções que não se cumpriram e adicionam-se mais umas. Às vezes, principalmente quando a maioria das ambições ficaram por cumprir, as resoluções para esse novo ano novo são abolidas.
o ano já não será novo. ao contrário da máquina, o conforto começa a incomodar. começo a rejeitar.
a máquina também já não será um corpo estranho. Será um prolongamento. Um conforto feliz que permite criar. Um peso conhecido.
estes pequenos não sabem que enquanto os capturo, os dedos sentem desconforto.
ignoram-me. sou uma estranha que não querem conhecer.
Julgo que é assim com uma boa parte das pessoas. O emprego, a viagem, o projeto, as caminhadas vigorosas, o corte nas saturadas, a casa, o carro e por aí em diante. São novos ou novas resoluções porque o ano é novo. A novidade é boa. Estranha, mas confortável. A mente e o corpo gostam, anseiam-na. Há uma expectativa de purga, mas também de preenchimento com algo... novo.
O ano instala-se.
A rasura no último número do ano termina ao fim do primeiro mês. O Carnaval ainda é ano novo, mas a Páscoa é transição, o Verão é média idade e quando entra o Outono, o ano está esgotado.
À medida que o ano vai perdendo a sua juventude, já nada se deve ao seu início.
O último mês é um limbo. Tenta-se arrumar o que é mau no ano velho e transportar o bom para o ano novo. Revestem-se as resoluções que não se cumpriram e adicionam-se mais umas. Às vezes, principalmente quando a maioria das ambições ficaram por cumprir, as resoluções para esse novo ano novo são abolidas.
o ano já não será novo. ao contrário da máquina, o conforto começa a incomodar. começo a rejeitar.
a máquina também já não será um corpo estranho. Será um prolongamento. Um conforto feliz que permite criar. Um peso conhecido.
estes pequenos não sabem que enquanto os capturo, os dedos sentem desconforto.
ignoram-me. sou uma estranha que não querem conhecer.
piu
piu.



















