Mostrar mensagens com a etiqueta Três coisas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Três coisas. Mostrar todas as mensagens

26.9.16

três coisas

da linha ténue que está a separar o Verão do Outono:

2 1 3
1. As videiras estão pesadas, cheias, carregadas.
Ouvem-se as dornas. As cheias, as meio cheias e as vazias. Batem umas contra as outras e ouvem-se. A pouco e pouco aliviam as vinhas, mas nunca as esvaziam. As vinhas são sempre cheias.

6 5
2. A luz de fim do dia está a mudar. As minhas sandálias amarelas, sabem disso. Sabem que à medida que a luz muda, a importância de uns pés calçados de amarelo também se esbate.
Mas atenção, nunca desvalorizo a importância de dar amarelo aos pés.

7
3. Há livros que se fazem de linhas ténues e como tal devem ser lidos com a luz de uma linha ténue.
No início da tarde de sábado, olhámo-nos com uma satisfação tímida quando soubemos que o piano estava pronto. A meio da manhã, o meu tio saiu para ir buscar o afinador. Chegou, trazendo-o pelo braço. O afinador era cego. Apontava a cabeça para cima ou para lugares onde não acontecia nada. A cabeça girava-lhe autónoma sobre o pescoço. Era mais velho do que o meu tio. Tinhas as mãos lisas. Falava pouco. Passámos horas a acertar notas em cada tecla. O afinador apertava as cordas com uma chave de prata que segurava, firme e cuidadosamente, entre os dedos. E os sons puros: nítidos no silêncio: desenhados no ar, a demorarem-se breves, a ecoarem na memória e a deixarem outro silêncio: outro silêncio: outro silêncio diferente. 
Quando por fim se ouviu uma palavra, foi o meu tio que me pediu para ir avisar o italiano. Sorri-lhe, abanei a cabeça afirmativamente e não fui capaz de dizer nada porque, dentro de mim, tinha um redemoinho infinito de música infinita.
Cemitério de Pianos, José Luís Peixoto

1.8.16

doce Agosto,

três coisas.

4
1. Uma viagem que carece de reflexão.

2 1
2. Estados que carecem de mudança.
E vitalidade.

3
3. Um carteiro que conhece a importância do primeiro dia do mês.

25.2.16

para hoje


três coisas aleatórias:

3 4

1. O voo de pombas decididas.

6 8

2. O "nosso" colorido Palácio da Pena.

1 2

3. 1984
Dos livros que sabe (infinitamente) bem conquistar.

'Tornou a espreitar o seu rival no cubículo em frente. Alguma coisa lhe dizia, sem margem para dúvidas, que Tillotson estava empenhado na mesma tarefa que ele. Não havia meio de saber qual das versões viria a ser finalmente adoptada, mas Winston tinha a profunda convicção de que seria a sua. O camarada Ogilvy, cuja existência nem se imaginava uma hora antes, surgira afinal como uma realidade. Chocou-o poder criar homens mortos, mas não vivos. O camarada Olgilvy, que  nunca existira no presente, existia agora no passado, e quando o acto de falsificação estivesse esquecido, existiria tão autenticamente, e com as mesmas provas documentais, como Carlo Magno ou Júlio César.'

8.10.15

para hoje


três coisas:

1 2

1. a boneca Joy, a guardiã de um pequeno mundo ordenado de 1 a 10.
as sedutoras rugas da cama e a força matinal de olhar para trás... e resistir.
as camas a pedirem roupagens mais quentes. as rugas a tornarem-se ainda mais sedutoras.
resistir. resistir.

3 1

2. as caixas com saquinhos de alfazema prontas para receber os vestidos de verão. as orelhas do Bala que estarão certamente maiores quando eles, os vestidos, voltarem à alegria de um guarda-vestidos arejado.
o saque às videiras terminou. vão agora descansar dos puxões e cortes mal calculados. algumas ficaram a par dos melhores mexericos da terra, outras a trautear as canções mais populares e ainda há as que apenas se contentaram com silêncios atarefados pautados por falas curtas e técnicas.

mas estão tão bonitas vestidas de outono. como estão bonitas.

2 1

3. Celosia cristata, vulgo cristas de galo.
também sabem que o outono precisa de mais sustento do que umas pétalas com toque seda.

está na hora de vestir veludo!

17.9.15

para hoje


três coisas:

2 1

1. outono.
a luz está a mudar.
o verde também.

4 3

2. uma chávena de chá.
um quarto de trigo do dia anterior recheado com uma generosa fatia de queijo.
simples. deliciosamente simples.

2 1

3. Buen camino!
O caminho dá tudo. Dá sorrisos, dá histórias e experiências. Dá dores nas pernas e bolhas nos calcanhares. Acima de tudo, dá um mundo de possibilidades e coordenadas.
Interpretá-las? talvez seja conversa para outro caminho.

Já agora, este caminho até Santiago. e aquele arrepio bom de reconhecimento.

7.8.15

para hoje


três coisas:

4 3

1. Não costumo pintar as unhas.
Quando o faço, dou por mim a fazer coisas muito parvas como agarrar em objetos de várias maneiras só para as apreciar.

1 2

2. Pêras.
Pêras por todo o lado. Pêras com uma deliciosa calda de moscatel.

5 6

3. Bala.
A minha mais recente paixão.

24.7.15

para hoje


3 coisas:

4 3
1 2
3 4

1. As rosas descobriram o segredo da imortalidade.
Poucos se aperceberam. Ainda bem.

2. Senhor Gonçalo M. Tavares. Uma palavra: (absolutamente) Genial.

A beleza, Senhor Henri

'Numa certa cidade o arco-íris um dia apareceu e nunca mais se foi embora. Durante um ano permaneceu no mesmo sítio no céu. Tornou-se aborrecido.
Um dia, finalmente, o arco-íris desapareceu e o céu ficou cinzento escuro por completo. As crianças dessa cidade, excitadas, apontavam para o céu cinzento e gritavam uns para os outros: olha, que bonito.'

3. Até ao momento, cerca de 13 000 peças.
13 000 peças que conhecem o calor das minhas mãos e o peso dos meus pensamentos.

30.6.15

para hoje


três coisas:

4 1

1. o equilíbrio.
os cactos em flor, o Yin Yang das plantas domésticas.

3.6.15

para hoje


três coisas:

1 2

1. as rosas da minha mãe. Belas. Bela.

14.4.15

para hoje


três coisas, três paletas de cores, três estados.

1 2

1. O campo.
Os verdes e os castanhos sempre tão confortáveis.
O som dos passos, o estalido dos galhos, o chilrear dos pássaros.
No campo tudo sussurra, tudo tem voz.
A tarde.


1 2

2. A cidade.
Os amarelos e azuis. O néon. Os contornos e sombras.
Os relógios e os ponteiros sem tempo.
O hiato cheio de calma, cheio de segredos.
A noite.


2 3

3. A praia.
A praia assim: deserta, cheia de invernias.
O mar. O mar e as cores do seu temperamento. Gosto de todos.
As pegadas, o picadinho da areia nos pés, as promessas atiradas ao horizonte.
A manhã.
A minha preferida.