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12.10.16

céu azul em dias de Outono


hoje o céu está cinzento.
cores de Outono para céu cinzento!

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5.9.16

bom dia, flor do dia


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e ainda:

1. A voz, a vida e força da Mulher do Fim do Mundo
2. A questão: Para onde foram as andorinhas?
3. Este Saturday Night, mesmo não sendo sábado

7.6.16

Moderato Cantabile


'O homem decidiu-se a regressar à cidade, para longe daquele parque. À medida que se afasta, o cheiro das magnólias diminui, cede o lugar ao do mar.
Anne Desbaresdes come um pouco de pudim gelado para que a deixem em paz.
O homem voltará involuntariamente para trás. Redescobre as magnólias, as grades, e as janelas ao longe, sempre iluminadas, sempre. Tem de novo nos lábios a canção escutada esta tarde, e na boca um nome que há de pronunciar numa voz um pouco mais alta. O homem passa diante da casa.
Ela pressente-o. A magnólia entre os seus seios murcha, percorre o verão no espaço de uma hora. O homem em breve se afastará do parque. Afastou-se. Anne Desbaresdes continua num gesto interminável a supliciar a flor.
— A Anne não ouviu.
Ela tenta alargar o sorriso, já não consegue. Repetem. Leva uma última vez a mão à desordem loura dos cabelos. As olheiras estão maiores. Chorou, esta noite. Repetem apenas para ela e esperam.'
Moderato Cantabile, Marguerite Duras 

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Aviso: Esta publicação carece de Magnólias.

17.5.16

coroa de rei a toque de alaúde


'Tudo se jogou numa fração de segundo. Rubens só a reconheceu no último momento, quando ela estava prestes a ultrapassá-lo e quando o passo seguinte os teria afastado definitivamente um do outro. Com uma prontidão excecional, estacou, voltou-se (ao que ela reagiu imediatamente) e dirigiu-lhe a palavra.
Tinha a impressão de que era ela a mulher que ele desejara durante anos, procurando-a pelo mundo todo. A cem metros dali havia um café cujas mesas se alinhavam à sombra das árvores, debaixo do céu magnificamente azul. Sentaram-se os dois frente a frente.
A mulher trazia óculos escuros. Ele pegou-lhes com dois dedos, tirou-lhos delicadamente e poisou-os em cima da mesa. Ela não tentou impedi-lo.
«Foi por causa destes óculos», disse ele, «que eu por pouco não a reconhecia.»
Beberam água mineral, sem conseguirem tirar os olhos um do outro. Ela estava em Roma com o marido e só tinha uma hora. Ele sabia que, se as circunstâncias o permitissem, teriam feito amor naquele mesmo dia, naquele mesmo instante.
Como se chamava ela? Que nome tinha? Rubens esquecera-se e achou impossível perguntar-lho. Contou-lhe (com inteira sinceridade) que, durante todo o tempo de separação entre ambos, tivera a impressão de estar à espera dela. Como poderia confessar-lhe que não sabia o seu nome?
Depois disse: — Sabe como é que nós lhe chamávamos?
— Não.
— A tocadora de alaúde.
— Porquê a tocadora de alaúde?
— Porque você era delicada como um alaúde. Fui eu que inventei esse nome por si.
Sim, fora ele quem o inventara. Não na altura em que por um tempo muito breve a conhecera, mas agora, no parque da Villa Borghese, porque precisava de um nome para falar com ela; e porque a achava delicada e elegante e doce como um alaúde.'
a imortalidade, Milan Kundera 

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A coroa de rei abriu há uma semana. Alcançou a imortalidade.

18.3.16

a Alice e os Jacintos


É a primeira vez que leio os contos de Alice Munro. Depois de "Metamorfose" de Franz Kafka e "1984" de George Orwell era dela que estava a precisar.
Uma escrita delicada, feminina e encantadoramente inteligente. Uma escrita que faz lembrar o toque dos Jacintos.
Além disso gosto de contos, têm a duração perfeita de uma pausa a meio da manhã, de um chá numa esplanada ou do compasso de espera por uma noite de sono.
Os pormenores não se diluem com tanta facilidade, tornando a mensagem intensa. Aguçada.
Acontece o mesmo quando olho os pequenos Jacintos.

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27.2.16

o maluco lírio azul


a televisão anuncia vaga de frio.
é fevereiro.
está a chover e o mercúrio não vai além de uns singelos 6 graus.
eu e minha mãe olhamos o lírio azul.
'Porque está este lírio maluco a tentar florir num dia como este?' pergunta ela entre gargalhadas.
gosto das gargalhadas dela. preenchem espaços. preenchem-me.
sinceramente não sei por que motivo tenta o maluco lírio azul florir num dia como este.
mas não tenho dúvidas, este lírio percebe a importância das coisas coloridas e bonitas num antipático dia invernoso.

Senhoras e senhores, apresento o maluco lírio azul. O primeiro do ano.

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8.10.15

para hoje


três coisas:

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1. a boneca Joy, a guardiã de um pequeno mundo ordenado de 1 a 10.
as sedutoras rugas da cama e a força matinal de olhar para trás... e resistir.
as camas a pedirem roupagens mais quentes. as rugas a tornarem-se ainda mais sedutoras.
resistir. resistir.

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2. as caixas com saquinhos de alfazema prontas para receber os vestidos de verão. as orelhas do Bala que estarão certamente maiores quando eles, os vestidos, voltarem à alegria de um guarda-vestidos arejado.
o saque às videiras terminou. vão agora descansar dos puxões e cortes mal calculados. algumas ficaram a par dos melhores mexericos da terra, outras a trautear as canções mais populares e ainda há as que apenas se contentaram com silêncios atarefados pautados por falas curtas e técnicas.

mas estão tão bonitas vestidas de outono. como estão bonitas.

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3. Celosia cristata, vulgo cristas de galo.
também sabem que o outono precisa de mais sustento do que umas pétalas com toque seda.

está na hora de vestir veludo!

23.9.15

os girassóis.


a Vanessa cheia de graça.
o Douro.
e um elogio profundo ao verão.

agora já é outono.

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17.9.15

para hoje


três coisas:

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1. outono.
a luz está a mudar.
o verde também.

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2. uma chávena de chá.
um quarto de trigo do dia anterior recheado com uma generosa fatia de queijo.
simples. deliciosamente simples.

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3. Buen camino!
O caminho dá tudo. Dá sorrisos, dá histórias e experiências. Dá dores nas pernas e bolhas nos calcanhares. Acima de tudo, dá um mundo de possibilidades e coordenadas.
Interpretá-las? talvez seja conversa para outro caminho.

Já agora, este caminho até Santiago. e aquele arrepio bom de reconhecimento.